domingo, 23 de fevereiro de 2014


Uma das qualidades que mais admiro nas pessoas é a capacidade de saber estar feliz. que é diferente de apenas ser feliz - e bem mais difícil. podemos estar numa onda má na vida, longe da família, longe da nossa terra, longe de quem gostamos, mas a capacidade de saber estar feliz faz superar tudo isto e faz-nos manter o sentido de humor afinado, a capacidade de gozo sempre presente, e o riso pronto a disparar. saber estar feliz não é um estado de alma, é uma forma de viver. sempre me disseram que me queixo pouco, mas isso não é uma postura - é uma filosofia: prefiro aproveitar enquanto estou com os outros para me divertir e encher-me da energia boa que eles tem, do que despejar-lhes as minhas negativas em cima. e no fim, ganho eu, que lhes "roubei" a parte boa da coisa.

gosto de saber estar feliz. mas mais, gosto de viver rodeado de quem vive no mesmo 'flow'. sem filtros, sem barreiras, sem formalidades. como quando se chega a um jantar de desconhecidos e pouco tempo depois já somos um do grupo, em que as piadas parvas já nos incluem, em que o gozo é permanente, não no sentido de superioridade, mas no de proximidade: vem daí, bebe um copo e junta-te ao coro. são boas aquelas noites em que chegamos ao fim com mais uma mão cheia de amigos, apenas pela afinidade de saber manter o riso e a boa disposição. em que o que trocamos não foram cartões, ou opiniões muito sérias. trocamos gargalhadas, como quem faz um brinde à vida simples.

admiro as amizades que sabem estar felizes. aquelas que perduram uma vida. que levam com barreiras, com distâncias, com momentos de maior silêncio ou ausência, mas ainda assim se aguentam. aquelas pessoas que podem estar longe meses, anos, continentes a separá-las, mas que basta estarem juntas um minuto para se sentir o brilho que as une. quando um segundo depois do re-encontro se soltam os risos, os abraços, as parvoíces ditas em coro, aquelas fotos sempre iguais, sempre em pose mais-que-idiota. são boas aquelas noites em que os nossos melhores amigos estão por perto, a chegar atrasados, a comer ali no outro lado da mesa, a rir delas e de nós, a contar as histórias de sempre, a brindar a mais um ano. a demorar - como sempre- a decidir onde se vai depois. e a dançar - como sempre-, onde se foi depois. e a dizer até já, no fim da noite, com aquele sorriso de quem sabe que amanhã, longe ou perto, tudo o que as une vai continuar ali, a saber estar feliz. como sempre.

[ momentos ]

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